RESENHA DESCRITIVA SOBRE: “PRECONCEITO LINGUÍSTICO”,MARCOS BAGNO.
Segundo Narceli Piucco, Marie-Hélène Catherine Torres no Verbete publicado em 18 de agosto de 2005 , o autor Marco Araújo Bagno , mineiro de Cataguases,nasceu em 21 de agosto de 1961, iniciando como escritor em 1988, e até o momento realizou mais de 30 títulos literarios.Tornou-se tradutor por incentivo de professores em 1981 na Universidade de Brasília , lingüista ao estudar sistematicamente o francês desde a infância, e as demais línguas aprendeu de modo autodidata; é também doutor em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) onde ingressou em 1994.
Bagno traz pensamentos de revolução no campo lingüístico brasileiro ao elaborar Preconceito Lingüístico: o que é, como se faz, pela editora Loyola. O texto traz críticas a bases teóricas da língua brasileira, desconstruindo posições denominadas de “mitos que compõem a mitologia do preconceito lingüístico no Brasil.”
O autor inicia relatando que sua base crítica está em análise de estudos filológicos e gramaticais de longa data, e o que esta tradição trouxe à realidade. Vê-se a educação nas escolas brasileiras prejudicada pelo mito de que “a língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente”. O autor rebate a posição da escola, que sendo responsável pelo ensino, de forma geral, ensina a norma lingüística como se fosse à língua dos 160 milhões de brasileiros, e não vê o português de modo diversificado, como ele é. Frisa-se a diversidade do falar brasileiro, apontando diferenças sociais para se entender os diversos modos de se falar o português brasileiro. Uma quantidade considerável é marginalizada quanto a dominar uma norma culta, a educação alcança pouca gente no país. A maioria fala de forma variada e pessoal, não reconhecida como forma padrão, sendo rebaixados pela maioria dos que falam o português padrão ou que não falando-o, o toma como referência.
Bagno critica, relata e dá detalhes de como é fortalecida a discriminação social a partir da língua, rebate o conceito preconceituoso, conforme ele, de que o português bem falado se fala em Portugal e não no Brasil, mostrando que existe um consenso maior na língua escrita, mas na fala, o sistema fonético, as expressões, e a pronuncia são diferentes. Explica os vários mitos acerca do português brasileiro impregnados e fortalecidos por vários teóricos, tendo a escola como precursora maior desses vários mitos, por exemplo: o “português é muito difícil”, propões a desconstrução a partir do ensino da língua portuguesa falada no Brasil; “É preciso saber gramática para falar e escrever bem”, propõe a desconstrução do ensino “gramaticalista”, pois traz insegurança, aversão, medo; e o “domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social’, um mito que toca em questões sociais, é desconstruído a partir de exemplos comparativos entre um professor e um fazendeiro sem formação, pois o segundo não tem a norma culta em seu falar, mas tem maior ascensão que muitos professores.
Bagno encerra lembrando o leitor quanto aos preconceitos, e criticando a forma de aplicação da norma culta, por ser reservada a poucas pessoas no Brasil, por razões de cunho político, econômico, social e cultural. Denomina de atitude cínica, os que exaltam a “decadência” ou a “corrupção da norma culta” no Brasil, por não enxergarem a realidade do grande numero de analfabetos e o modo de como se ensina o português. Conclui Marcos Bagno refletindo que a uma “distancia entre norma culta real e norma culta ideal”, sendo segundo o autor, a razão de tantos mitos em volta da língua portuguesa falada no Brasil.
Biografia disponível em: http://www.dicionariodetradutores.ufsc.br/pt/MarcosAraujoBagno.htm,18/10/2009.
BAGNO,Marcos, Preconceito Lingüístico, 43°Edição, São Paulo. Editora Loyola, 1999.
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